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CODIFICADO EM VOCÊ

O medo é natural no enfrentamento de ameaças reais (visíveis ou não) e todos os seres vivos possuem mecanismos de sobrevivência, cada espécie está adaptada para reações diversas. Estamos geneticamente programados para responder aos estímulos que provocaram riscos no curso da evolução humana.

As preocupações causadoras deste sentimento são amplas na vida contemporânea. No passado, a selva oferecia ameaças diferentes das atuais; nas cidades os perigos são outros. Seres microscópicos, como vírus e bactérias, não estavam no “cardápio” das apreensões rotineiras do passado; agora são conhecidos e o temor é válido.

Ainda não houve tempo hábil para a codificação genética dos riscos na vida moderna e elas permeiam apenas o campo subjetivo: maneira como um indivíduo interpreta o perigo e codifica seu medo através da cognição e percepções.

Yes-ImagemConsiderado algo desagradável por gerar estresse e ansiedade, o medo é um importante meio de proteção e sobrevivência.  Sem ele, seria difícil perceber a exposição aos perigos e situações de risco.

Na subjetividade, os medos podem ser interpretados de forma desproporcional e gerar transtorno de ansiedade social, denominado popularmente como Fobia (ansiedade patológica em relação a objeto ou situação específica).

Caracterizada por um medo intenso e irracional com potencial de afetar a vida, algumas vezes o indivíduo chega perceber que o sentimento é excessivo, mas não sabe lidar com o problema. As fobias são de inúmeras formas ou frequências e estão presentes em quaisquer faixas etárias, etnias, gêneros ou lugares.

Os estímulos fóbicos, resultados da sinergia irracional provocada pelos pensamentos disfuncionais e repetitivos, surgem através de indícios, acarretam descrições com argumentos lógicos e congelam a capacidade de reação do indivíduo.

Alguns exemplos: O medo de perder o emprego pode impulsionar uma pessoa a trabalhar melhor e buscar mais desempenho; nas crises fóbicas, perde o sono, degrada suas relações com os colegas de trabalho e chega a provocar uma demissão real.

Embarcar numa aeronave, transpor 5.000 quilômetros de oceano ao rumar para outro continente pode trazer certas angústias plausíveis; num processo fóbico, possivelmente causará alterações orgânicas, tais como, taquicardia, hiperventilação, náuseas, mudança de pressão, entre outras.

Nestes casos sempre desproporcionais à realidade da segurança oferecida pelos aviões, probabilidades e utilidade para os destinos longínquos. Será improvável encontrar um cidadão cosmopolita com fobia de rugidos dos leões; nas savanas da África, podem existir.

Na Idade Média seria impossível encontrar alguém com fobia de elevador. Entidades como bruxas, vampiros ou seres sobrenaturais, hipoteticamente criavam problemas desta natureza.

Durante as épocas, existem muitos comparativos válidos para demonstrar a diferença entre o medo individual ou coletivo, e as fobias. Considere o medo estar programado no DNA e as fobias serem codificadas ao longo da vida, sobretudo, na infância ou em episódios de estresse exacerbado.

Estudos demonstram que pode existir uma hereditariedade na fobia, portanto, sugerem ser passadas através da linguagem e comportamento.

As pessoas com histórico familiar deste transtorno apresentam maior risco de desenvolver este transtorno.  A fobia também é aprendida e as interpretações determinam como será o comportamento de cada um.

Duas pessoas presenciam um acidente de carro com muitas mortes, a forma como cada uma reagirá ao fato é determinante do comportamento futuro ao transitar dentro de um veículo.

Uma informação válida: Algo construído com base cognitiva pode ser desconstruído da mesma forma, portanto, existe a possibilidade de oferecer intervenções terapêuticas com estratégias a fim de diminuir e dominar o estresse psíquico ao recodificar os registros internos acerca do tema.

A conclusão atual destaca que assumir uma fobia “custa mais” do que se expor ao combatê-la.

Artigo publicado no Jornal de Piracicaba, coluna de opinião, A3 em 18/05/2016A3

Arquivo em (.pdf): JP-20160518-Codificado em Você-V.1.2

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Sobre marcelopelucio (312 artigos)
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