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Qual a cultura do seu negócio? Ou como não enriquecer consultores oportunistas

 

Nesta semana, a Adriane Silveira, da Nanny Dog, tratou da sua obrigação, como empreendedora, de sempre fazer o melhor para o seu cliente. Juliana Motter, da Maria Brigadeiro, falou da sua inicial ojeriza às técnicas de gestão e depois da sua necessidade de adotá-las. Renato Steinberg, do Fashion.me, discutiu se deveria dizer aos norte-americanos que o seu negócio era brasileiro e Pedro Chiamulera discorreu sobre cultura organizacional da sua empresa, a Clearsale.

Marcelo Nakagawa  fala sobre bons exemplos

Estes assuntos podem ser analisados, de fato, pela perspectiva da cultura organizacional apresentada pelo Pedro. Querendo ou não, planejado ou não, construtiva ou não, todas as organizações desenvolvem sua própria cultura – traduzida pelas crenças e atitudes dos seus colaboradores e percebida (e rotulada) pelos seus clientes.

Mudá-la quando essa cultura já criou raízes nas piadinhas dos (ex) colaboradores e (ex) clientes só vai enriquecer os consultores oportunistas. Assim, cabe ao empreendedor ter a consciência (e assumir a responsabilidade) de que pode (e deve) desenvolver a cultura organizacional que deseja para o seu negócio. E isto deve ser pensando desde antes da empresa ser efetivamente criada. O desafio para o empreendedor (que já tem tantos outros para gerenciar) é: como desenvolver uma cultura organizacional que esteja alinhada com aquilo que ele quer para o seu negócio?

Tomando como exemplo os temas mencionados nesta semana pelos meus colegas empreendedores-blogueiros, no Brasil, há empreendedores que conseguiram construir culturas organizacionais alinhadas às suas crenças de produtos de excelente qualidade, como defendido pela Adriane Silveira, em um ambiente descontraído, como imaginado pela Juliana Motter, “Made in Brazil”, como discutido pelo Renato Steinberg, e de forma consolidada como vislumbrado pelo Pedro Chiamulera.

Um exemplo (que gosto de citar como caso de sucesso e também como consumidor) é a empresa criada pelo médico Marco Aurélio Raymundo, mais conhecido como Morongo. Ele fundou a Mormaii em Garopaba a partir da sua necessidade pessoal de roupas para surf. A empresa é uma das maiores do mundo em seu segmento, mas ainda há uma obsessão pela qualidade, ambiente descontraído de trabalho e orgulho de ser brasileira.

Outro médico que também conseguiu reunir os mesmos ingredientes de qualidade, descontração e “Brazil” em uma cultura organizacional consolidada foi Oskar Metsavaht, que a partir de uma necessidade pessoal de fazer roupas para alpinismo, criou a Osklen, recentemente investida da Alpargatas, dona do ícone de qualidade-descontração-made in Brazil: as Havaianas.

Mas apenas citar exemplos e não explicar como empreendedores podem criar culturas organizacionais deixaria o meu post incompleto. O problema é que boa parte da literatura sobre culturas organizacionais são complexas e até obscuras para a maioria dos empreendedores que buscam algo mais pragmático. E, tirando as notícias da mídia, ainda há muito pouco escrito sobre o desenvolvimento de culturas organizacionais em empresas fundadas por empreendedores brasileiros.

Assim, preciso recorrer ao Tony Hsieh, que explicou em seu livro, Satisfação Garantida, como ele e seus sócios desenvolveram do zero a Zappos.com. Trata-se de uma empresa de mais de US$ 1 bilhão e que se tornou uma das melhores empresas para trabalhar nos Estados Unidos.

Por mais que a Zappos.com seja norte-americana, Hsieh apresenta ideias simples que qualquer empreendedor pode aplicar em sua empresa para desenvolver uma cultura organizacional que engaje todos em torno do propósito da existência do negócio e dos seus objetivos.

Ainda quando a Zappos.com era quase uma startup, Hsieh pediu para que todos os colaboradores ajudassem a escrever o que chamou de “Livro de Cultura da Zappos”. Em comunicado, pediu “Por favor, me enviem e-mails contendo de 100 a 500 palavras sobre o que a cultura da Zappos significa para você. (O que é a cultura da Zappos? Qual é a diferença entre ela a cultura de outras empresas? O que você gosta na nossa cultura?”.

Ele também deixou claro que poderiam enviar contribuições anônimas e que todas as mensagens, boas ou ruins, seriam publicadas no Livro de Cultura da Zappos. E depois disso, o próprio livro se tornou parte da “Cultura Zappos”, sendo atualizada, publicada e enviada para colaboradores, parceiros e fornecedores todos os anos. Mais do que isto, as contribuições para o Livro de Cultura moldaram os 10 valores fundamentais que orientaram o desenvolvimento da empresa e dos seus colaboradores desde então.

Estes 10 valores são:
1. Preste um serviço “UAU!”
2. Incentive e conduza mudanças
3. Crie diversão e um pouco que esquisitice 
4. Seja ousado, criativo e mente aberta
5. Busque o crescimento e a aprendizagem
6. Construa relacionamentos abertos e honestos
7. Construa uma equipe positiva e com espírito de família
8. Faça mais com menos
9. Seja apaixonado e determinado
10. Seja humilde.

Cada um desses comportamentos valorizados pela Zappos é especialmente instigador e seria agradável ter mais empresas brasileiras comprometidas em oferecer um serviço “UAU!”, como o defendido pela Adriane Silveira da Nanny Dog, com relacionamentos mais abertos e honestos em ambientes mais divertidos, como imaginado pela Juliana Motter da Maria Brigadeiro, com clientes que valorizem a ousadia, criatividade e a mente aberta de ser brasileiro, como discutido pelo Renato Steinberg do Fashion.me, e com culturas organizacionais inspiradoras e principalmente planejadas, como a ClearSale do Pedro Chiamulera.

Como empreendedor você não precisa concordar com os valores da Zappos, mas precisa ter a coragem de planejar a cultura organizacional da sua empresa e a ideia do “livro de cultura” do seu negócio pode ser uma atividade instigante para este início de ano.

Fonte: PME ESTADÃO

Link utilizado por Marcelo Pelucio:http://blogs.pme.estadao.com.br/blog-do-empreendedor/qual-a-cultura-do-seu-negocio-ou-como-nao-enriquecer-consultores-oportunistas/

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Sobre marcelopelucio (312 artigos)
Possui habilidades comprovadas para encontrar talentos, montar, treinar e organizar equipes. Melhora o clima organizacional das empresas, escolas e organismos nos quais atua. Encontra o sucesso em diversas áreas da atividade humana e detém várias premiações. Sua vida acadêmica conta com quase três décadas de estudos, possui cinco títulos acadêmicos (graduações, especialização e aperfeiçoamento), centenas de cursos dentro e fora do Brasil e participa de Mestrado em Educação. http://www.marcelopelucio.com.br

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