Postagens Recentes:

Cientistas debatem se vivemos nova época geológica

Grupo defende que impacto das ações humanas desde a Revolução Industrial foi tão significativo que deu origem ao Antropoceno

26 de dezembro de 2012 | 2h 01
GIOVANA GIRARDI – O Estado de S.Paulo

Há quem diga que seria o último ato da arrogância humana: tornar oficial nos registros geológicos que ações antropogênicas – aquelas que são induzidas ou alteradas pela presença e atividade do homem – já causaram, e ainda causarão, tamanho impacto nos ciclos naturais do planeta que são suficientes para marcar o surgimento de uma nova época na escala de tempo da Terra.

 

É exatamente o que está sendo discutido por um grupo de trabalho de cientistas na Comissão Internacional de Estatigrafia – a disciplina que analisa as marcas da passagem do tempo no planeta. Segundo dados oficiais, estamos há cerca de 12 mil anos em uma época chamada Holoceno, iniciada após o fim da última era do gelo e caracterizada por uma relativa estabilidade climática.

Mas o grupo analisa as evidências científicas para poder dizer se o impacto das ações humanas foi significativo o bastante para dar início a uma nova época, chamada Antropoceno. A ideia foi lançada no início deste século pelo químico Paul Crutzen, do Instituto Max Plank, que recebeu o Nobel de Química em 1995 por seus estudos sobre a camada de ozônio na atmosfera.

Desde então o termo conquistou popularidade e valor simbólico, sendo usado arbitrariamente para definir as transformações que o planeta vem experimentando por causa das ações humanas. A pergunta que os cientistas tentam responder é se essas transformações são tão relevantes e profundas quanto às promovidas pelas grandes forças da natureza.

“Classificar o Antropoceno como uma nova época geológica é uma caracterização que depende da observação de uma mudança nos registros geológicos, como, por exemplo, no padrão de sedimentação em escala global”, explica o climatologista Carlos Nobre, único brasileiro – e um dos poucos não geólogos – que faz parte do grupo de trabalho.

É um processo muito lento, de anos, talvez décadas, admite Nobre. “Não muito diferente de quando os astrônomos começaram a discutir o caso de rebaixar Plutão da categoria de planeta.”

“Com o aumento do nível do mar, haverá um outro padrão de depósito de sedimentos. Onde hoje é continente vai virar fundo do mar, então um dia alguém perfurando essas regiões vai ver areia. Ao datar, vai ver que é do ano 2000 e indo um pouco mais ao fundo encontrará uma rocha que tem milhões de anos. Isso é uma mudança do parâmetro geológico”, exemplifica Nobre.

Por isso, é de se questionar se é possível identificar uma mudança de época bem quando ela está ocorrendo – todo o conhecimento sobre a história do planeta se deu nos últimos três séculos com base nos estudos de camadas de sedimentos das rochas e das geleiras acumulados ao longo de milhões de anos.

Sinais precursores. Segundo Nobre e outros pesquisadores da mesma linha, porém, sinais precursores já podem ser observados nos dias de hoje. É justamente a velocidade das ações humanas que talvez permita essa análise quase simultânea. A corrente mais forte entre os pesquisadores coloca como início do Antropoceno a Revolução Industrial (no final do século 18), que trouxe o uso dos combustíveis fósseis para mover máquinas e é o marco da aceleração das emissões de gases de efeito estufa.

Essa nova marcação no tempo, porém, não se restringiria ao aquecimento global, mas às mais diversas ações humanas impulsionadas pelo aumento populacional, como perda de habitats, mudança no uso do solo, sobre-exploração dos recursos naturais, causando, por exemplo, perda de biodiversidade, acidificação dos oceanos e perturbação dos ciclos naturais.

É nesse último ponto que assentam as evidências mais robustas do impacto humano. Diversos estudos nos últimos cinco anos apontam para uma mudança nos ciclos de carbono, nitrogênio e fósforo, além do hidrológico.

Uma das pesquisas mais citadas é a liderada pelo hidrólogo sueco Johan Rockström, que junto com uma equipe de 28 cientistas publicou em 2009, na revista Nature, que a humanidade já ultrapassou três de nove barreiras do planeta que mantêm o sistema funcionando como o conhecemos. O rompimento desses pontos pode modificar esse equilíbrio a um ponto sem mais chance de retorno.

O trabalho afirmava que já foram transpostos os limites da biodiversidade, da mudança climática e do ciclo de nitrogênio, por causa do uso excessivo de fertilizantes. Três anos depois se considera também como superado o limite do fósforo. O de carbono está próximo de ser atingido. Hoje as emissões anuais passam de 40 bilhões de toneladas de CO2.

“Esse sinal pode até aparecer pequeno quando comparado ao ciclo do gás. Todo ano há uma troca de CO2 entre os oceanos e a atmosfera, entre a vegetação e a atmosfera, na faixa de 170 bilhões de toneladas de carbono. Multiplicando isso pelo peso molecular do CO2, passa de 600 bilhões de toneladas. Só que o nosso sinal é cumulativo. Portanto, em menos de um século, vamos ter o dobro de CO2 na atmosfera. Estaremos com outra composição da atmosfera, com outro equilíbrio climático – que será o planeta muito mais quente”, diz.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,cientistas-debatem-se-vivemos-nova-epoca-geologica-,977669,0.htm

  • Pensamento de John Lennon

    Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra [...]
  • UMA ATIVIDADE FRUTÍFERA

    As atividades necessárias para detecção de falhas normalmente esbarram nas peculiaridades de defesa psicológica, muitas [...]
  • UM CALDEIRÃO EMOCIONAL

     Complicam os assuntos, tornam difícil o convívio interpessoal, negligenciam a própria saúde, em certas ocasiões munidos de [...]
  • UMA ANÁLISE MINUCIOSA

    O mundo das escolhas é vasto, com muitos caminhos para percorrer e sob tempestades diferentes, acertar o “guarda-chuva” [...]
  • UMA ÁREA DESCOORDENADA

    Ser recebida com respeito e atendimento digno, pode ser o objetivo de quem chega na “quarta idade”, independentemente de [...]
  • UM ESFORÇO DIRIGIDO

    O cérebro está em constante mudança e a ‘ebulição’ das infinitas conexões neuronais produzem o processamento das [...]
  • UM ENCONTRO CASUAL

    Mesmo em festas nas ‘montanhas geladas’, amigos em volta de uma lareira, taças de bebidas alcoólicas abrindo as mentes – [...]
  • UM OLHAR APURADO

    Sem considerar uma indicação de falhas – as pessoas abraçam, ouvem e incentivam os outros, ainda que deixem de corresponder [...]
  • No Picture

    UMA RESPONSABILIDADE COMUM

    Sensação de ter destacado parte do seu corpo, pensamentos abstratos e absurdos começam a circundar sua existência. Essa é [...]
  • UMA CERTA SUAVIDADE

    Fixar objetivos para obter sucesso eliciam desejos, tais como morar num excelente lugar da cidade, ter um carro confortável, [...]
  • UMA PROFUNDA APRECIAÇÃO

    Os seres humanos evoluíram para dar sentido ao ‘mundo’, observam transformações e as ressignificam com o passar do tempo. [...]
  • UM ISOLAMENTO SURREAL

    Quando comparados as outras espécies, os seres sociais possuem vantagens nos processos evolutivos por compartilharem recursos e [...]
  • UMA ESPÉCIE DE LASTRO

    Seres conscientes da subjetividade usam todos os sentidos e empoderam-se de percepções para responder aos estímulos. Nesta [...]
  • UM BOM EXEMPLO

    As pessoas comuns, tanto quanto os pesquisadores, vasculham de certa forma, os limites entre a normalidade e anormalidade. Ficam [...]
  • UMA BOA EXPECTATIVA

    Um vasto silêncio acompanha algumas questões fundamentais da existência, espera-se de as crianças serem agradáveis e [...]
  • UMA AÇÃO SISTÊMICA

    Riqueza das ideias e desafios impulsionam a existência da espécie humana, tem íntima ligação com a liberdade adquirida e [...]
  • UMA DOSE REGULAR

    A expressão ‘meio ambiente’, em tese, sugere a representação fixa da natureza, porém, tudo que se conhece no universo [...]
  • UM NINHO SEGURO

    O envelhecimento é um processo inato, no decorrer do tempo, mudanças hormonais, cognitivas e físicas ocorrem em todos os [...]
  • Quero…

                      Quero, um dia, poder dizer as pessoas que nada foi em vão. Que o [...]
  • Resistência…

                  A resistência da estrutura psíquica, em parte, está relacionada com a forma [...]
  • UM CICLO VIRTUOSO

    A vida cotidiana reserva diversas emoções negativas. Entre elas a raiva, ciúme, medo, vergonha ou arrependimento – visto [...]
  • Convite para viver

      Quando se fala da vida é como atravessar o oceano Atlântico, de ponta a ponta, num caiaque e nem saber [...]
Sobre marcelopelucio (312 artigos)
Possui habilidades comprovadas para encontrar talentos, montar, treinar e organizar equipes. Melhora o clima organizacional das empresas, escolas e organismos nos quais atua. Encontra o sucesso em diversas áreas da atividade humana e detém várias premiações. Sua vida acadêmica conta com quase três décadas de estudos, possui cinco títulos acadêmicos (graduações, especialização e aperfeiçoamento), centenas de cursos dentro e fora do Brasil e participa de Mestrado em Educação. http://www.marcelopelucio.com.br

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: